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Desvio

19/04/2010

E deixe que tudo flua

Pra fora deste quarto de apartamento

Que a gaveta se abra ao som do vento

Pôr um fim à claustrofobia do cotidiano

Cair na folia,

Viver o profano.

Pois quem poderá queixar-se do que é bom?

Apenas quando o limite se instala

E assim estraga

A liberdade sem tom.

Não existe prazer que cause tanto mal alheio

A não ser a pura inveja de que não tem coragem

De embarcar nesta viagem

Saudar os velhos costumes

e sair pela porta sem avisar

Deixar algum bilhetinho azul

Num canto do armário

caso  decida alguém também viajar.

Esquecer-se do tema

Parir um poema

Fazer o resto da cena.

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O que a fantasia esconde.

26/12/2009

E nas noites de paz,

Sinto esse cheiro de infinito…

Gosto pelo mundo que se exprime

numa vaga sensação de imensidão.

{Silêncio, desperto}

Assim que acordo, vejo o que há:

O ser humano esquecido

de que a mão não só recebe,

dá.

Onde se esconde toda essa gente,

que vê sem poder reclamar?

Enquanto as bocas cheias de fome imploram por respirar,

A febre demente das mentes em clone se espalha,

por todo lugar.

Imóveis,  essa compaixão do esquecimento,

(mania mundial para fingir qualquer sentimento)

me causa a mais profunda ojeriza

de que um ser pode experimentar.

Porque nada mais há na cabeça dos homens

do que falsas fantasias pretensiosas.

E com o suor da falácia

é construido o templo,

um altar de mentiras e lágrimas sepultadas

daqueles que nunca são vistos

por quem conta esses tenebrosos contos de fadas.

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